Somos o que comemos #1

Somos o que comemos sem sombra de dúvida. Quando os bebés iniciam a diversificação alimentar todos os pais têm imenso cuidado com a comida que oferecem aos filhos, nomeadamente com a escolha dos legumes, das frutas, da carne e depois do peixe. Provavelmente esta é a primeira vez que uma mãe começa a valorizar o selo "bio", frequenta os mercados de fim de semana e faz quilómetros para conseguir os melhores ingredientes. Depois vêm os iogurtes feitos com leite de transição, o pão, as bolachas, o leite de crescimento e na consulta dos 12 meses os pais recebem a alegre notícia de que os bebés podem passar a comer a comida dos crescidos! (mas muitas vezes, para alguns pais, isso significa comer bacalhau com natas, carne de porco com farinheira e pataniscas com arroz de feijão).
No pressuposto de simplificar - porque comer de forma saudável dá muito mais trabalho do que comer não saudável - os pais começam a "estragar" a boa base de alimentação que os filhos tinham e o descalabro começa. Bolachas de todo o tipo, desde as mais simples às mais doces e gordurosas, pães de leite e croissants, cereais com açúcar, papas quando já não são necessárias, sumos em vez de água, refrigerantes, e a lista continua. Alguns "juram a pés juntos" que "é só hoje" mas não é em muitos casos. Quando vou ao supermercado ao longo do ano é inevitável ver os carros dos outros e o sem número de alimentos perfeitamente evitáveis que lá constam. Será uma questão de dinheiro? Acho que não, até porque não é assim tão caro comer bem. Se retirarem os refrigerantes, leites com chocolate, os gelados e sobremesas, as bolachas e substituírem por água, fruta, leite simples ou iogurtes e pão, a conta do supermercado não vai mudar praticamente.
Há uns meses escreveram-se páginas e páginas sobre o veneno que é o açúcar, foi-se do oitenta para o oito, caiu-se num exagero que pelos vistos foi efémero, já que a quantidade de bolas de berlim e gelados que se têm vendido ultimamente não tem diminuído. Batatas fritas de pacote, bolachas e refrigerantes compõem o cardápio para a maioria das famílias em tempo de férias, que é amenizado por uma ou outra sandwich que substitui o almoço ou uma peça de fruta quando as crianças estão distraídas. Atenção que não estou a condenar (caso seja APENAS em tempo de férias), mas existem muitas outras opções que não dão assim tanto trabalho.
Somos o que comemos e por isso imaginem o que significa as nossas crianças ingerirem diariamente, 365 dias ao ano, excesso de açúcar e gordura, alimentos processados em vez de em natureza, quilos de químicos, conservantes, corantes, estabilizantes, xaropes de, gorduras hidrogenadas, ingredientes geneticamente modificados, etc... a lista continua e não melhora, por isso, enquanto mãe e dietista, peço-vos que pensem, pensem bastante sobre este tema, reflitam e mudem. Se precisarem de ajuda por não saberem o que fazer, consultem um especialista em nutrição.

Imagem d´aqui com receitas ótimas.

Mais sobre alimentação no blog aqui.

*

Podem seguir-nos no Instagram em @myhappykids.


7 comentários :

  1. Excelente texto! Adoro ler sobre este tema e a Filipa domina o assunto como ninguém, já tinha saudades destes posts. Continue, por favor!!

    ResponderEliminar
  2. É curioso este tipo de posts, porque a Filipa publicita muitas vezes produtos carregados de açúcar para serem consumidos por crianças. Eu sei que as marcas aliciam, mas vale tudo? (Isabel G)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também discordo porque a Filipa não costuma publicar alimentos cheios de açúcar, mas em vez disso refere várias alternativas aos mesmos. Aliás, nos posts relacionados com a alimentação das crianças e nos de dieta refere sempre que o açúcar deve ser evitado por ser um dos responsáveis do aumento de peso e outras doenças.

      Eliminar
  3. Boa tarde Isabel, agradeço o comentário mas discordo. Falei uma única vez de uns iogurtes para crianças que contêm açúcar, ainda que a qtde habitual nos iogurtes meio gordos, de maneira que lhe pergunto em que inúmeras outras situações falei de alimentos do género que refere?

    ResponderEliminar
  4. Boa Filipa! Como mãe e também dietista subscrevo as suas palavras. Há que distinguir as situações pontuais do que é rotineiro e que incutimos como hábito aos nossos filhos.

    ResponderEliminar
  5. De facto por vezes vejo pais a fazerem com cada atrocidade com a alimentação dos filhos que fico verde!!

    ResponderEliminar
  6. Realmente basta olhar para o Vicente para ver que pratica o que apregoa.

    ResponderEliminar

Obrigada pelo seu comentário!