Como lidar com as birras


Lembram-se de vos ter falado recentemente sobre o tema “Birras” neste post? O Vicente está agora com 21 meses e, por isso, está claramente numa fase de birras, mas na maioria dos casos tenho vontade é de me rir e não fico stressada. As birras são mais frequentes quando o Vi está com sono, seja à hora da refeição ou porque quer fazer determinada coisa e nós não deixamos.
Já partilhei convosco que o Vicente não para quieto, dos três é claramente o mais mexido e o que mais “inventa”. Um dia, antes de vir de férias, depois do jantar, estava a preparar a mochila dos irmãos para as atividades do dia seguinte e o Vicente não parava de abrir as gavetas e tirar tudo cá para fora. Tirou uma vez e disse para não fazê-lo, tirou segunda e voltei a dizer que:
“Vicente, não! Não pode fazer isso” e ele ria-se.
Depois uma terceira, quarta, etc., até que me zanguei com ele e sentei-o, não deixando que se levantasse. Ele chorou, chorou, deitou-se no chão e eu expliquei mais uma vez que não podia ser, que estava a desarrumar tudo. Depois acabei por lhe pegar ao colo, dar um beijinho e abraço e, antes de o pôr no chão e deixar à vontade, voltei a explicar que não podia desarrumar e tirar as coisas das gavetas. Ele ainda hesitou e tentou fazer igual, mas quando disse “Vicente!” ele parou, riu-se e foi buscar um carrinho para brincar.
Como é que gerem estas birras? Fingem que não vêm, falam com eles ou colocam-nos de castigo?

Blédina – marca especialista em nutrição infantil – lançou, como já vos contei, a campanha #énatural, que mostra que as birras fazem parte do quotidiano das famílias felizes e que nós, pais, precisamos de as encarar de forma positiva. Na continuidade desta iniciativa, Blédina convidou a especialista em questões parentais e educação positiva, Magda Dias, para ajudar os pais a ultrapassar mais facilmente esta questão das birras.

Algures entre os 18 e os 24 meses é habitual os pais falarem numa mudança (que por vezes é brusca) do comportamento dos seus filhos. Há quem diga que de repente, o anjinho virou diabinho e começam as famosas birras. É a fase dos terrible two, mas afinal de contas o que é que está a acontecer?


Fotografia Nuno Mousinho.


Em seguida deixo-vos com 5 Dicas da Magda Dias, autora do blog Mum´s the Boss, para saber se é uma birra ou um comportamento manipulador.

1. Respire fundo
O que está a acontecer é, simplesmente, a criança a crescer e a ter uma maior noção de si e do que a rodeia. Até este período, esta consciência de si não existia. Agora que a criança começa a adquirir a marcha e a fala, percebe que está menos dependente dos adultos e que já pode uma série de coisas. Mas não é bem assim. Por uma questão de segurança, ainda não pode tudo. Só que ela não sabe disso e mostra a sua indignação e frustração desta forma. E é comum ouvir os pais a dizer que a criança os desafia - eu digo-lhe que o seu filho está a descobrir o mundo. E isso é uma aventura para ele, o que vai exigir atenção e paciência dos pais.

2.Não ignore nenhuma birra
É comum dizer-se que não se deve dar tempo de antena a uma birra. Muitos dizem que o melhor remédio para acabar com uma birra é mesmo ignorar a criança. Infelizmente, não é assim tão linear.
Há birras tão sérias e tão intensas que, deixar a criança desamparada, seria o mesmo que deixá-la sem cuidados quando cai e se magoa. Por isso, é determinante identificarmos o que está a acontecer naquela situação.

Mas antes de continuar, gostava que me dissesse se sabe em que altura é que o cérebro de um ser humano fica formado? Poderá ser uma surpresa para si mas os estudos referem-se aos 25 anos de idade. Isto prova que competências como a gestão do impulso e a auto-regulação levam algum tempo a tornarem-se refinadas e maduras. Se tem de esperar até aos 25 anos do seu filho para ele saber gerir as birras? Claro que não! A sua ajuda e a qualidade das experiências que ele vai ter é que são fatores decisivos para esse amadurecimento.

3. Descubra que tipo de birra é!
Há autores que se referem a dois tipos de birras - e esta categorizarão vai ajudar-nos a olhar para os nossos filhos e a percebê-los melhor.

As birras do andar de baixo são as birras emocionais e são as mais difíceis de gerir para a criança. Há um turbilhão de emoções que lhe acontecem e, porque ela ainda não as sabe acolher, regular e gerir, dão a sensação de serem muito exuberantes e barulhentas. Nessa altura, o mais importante a fazer é retirar a criança do local e ajudá-la a acalmar-se. Podemos dar-lhe um abraço ou simplesmente chamar por ela e, com muita calma, ajudá-la a focar-se noutra coisa completamente diferente. Na grande maioria das vezes não há correção a fazer - estas birras acontecem por algum momento de frustração e tão depressa vêm como vão. É deixar a criança ir brincar.

As birras do andar de cima, ou seja, aquelas que acontecem na área mais executiva do cérebro, são comportamentos mais manipuladores e, mesmo sendo assim, estão certas. Porquê? Porque a criança sabe o que quer e atua nessa direção. Faz o que tem a fazer!
Como saber qual é a diferença entre estas e as de cima? Usando o cliché do chocolate - se nas do andar de baixo der à criança aquilo que ela quer, o comportamento mesmo assim não pára. Nas do andar de cima, a criança sossega. E isso vem mostrar-nos que, numa circunstância, ela estava a gerir-se e, na outra, não tinha essa capacidade.

4. Descubra quem é o seu filho
É fundamental olharmos para os nossos filhos quando estes comportamentos acontecem. Porquê? Porque só quando olhamos é que percebemos que tipo de linguagem o corpo e o rosto comunicam. Há miúdos que ficam muito tensos, choram com muitas lágrimas e outros que se deitam no chão. Cada um tem a sua forma de reagir. Ao pai e à mãe cabe a capacidade de olharem e descobrirem o que é que, afinal, a criança está a dizer.

5. Acolha os sentimentos - isso não significa ceder
Quando estamos perante as birras do andar de cima seria uma tontice ignorar a criança. Vale a pena acolher os sentimentos. Dizer-lhe que sabe que ela queria muito o chocolate ou ficar nos avós ou ainda ir dar mais uma volta no escorrega é meio caminho andado para ela se sinta escuta e que saiba que a mãe não rejeita o que ela lhe diz. E escutar não é ceder. É apenas acolher os sentimentos do seu filho. E há momentos em que ele pode ter o que mais deseja e outros em que não. Por isso é que ele não está contente e está no direito dele.

E sabe o que é isso? É a vida a acontecer.

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Post escrito em parceria com a Milupa Comercial SA

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22 comentários :

  1. Isto de tratar os filhos por 'voce' faz-me confusao. Odeio! É só a minha opiniao, nao me insultem. Tb respeito quem o faz mas continuo a odiar.

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    1. Praticamente todas as bloggers "queques" ou aspirantes a tal,tem esta mania irritante de tratar os filhos. Deve ser para se destacarem das comuns mortais.

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    2. Boa tarde, sou da opiniao que cada um trata os filhos como quer e acha correto. Também ha coisas que nao gosto mas nao é por isso que ofendo as pessoas. A forma como cada um é educado nao deve ser questionada, exceto nos casos em que isso põe em causa as crianças.

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    3. O irritante e quando o fazem para parecer bem. Duvido seriamente que a sua mãe a tratasse por você ou até mesmo aquela outra do blog da carlota. Só é ridículo tentarem parecer uma coisa que não são. É o novo riquítismo. Mas tem razão cada uma trata os filhos como quer.

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    4. Também sou dessa opiniao. Que casa um trata os filhos como quer. MAs, nao deixo de odiar ouvir trata-Los POR 'você'. Podia me explicar o que a leva a trata Los assim? Obrigada. É só Para tentar perceber...

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    5. Sinceramente acho que nao vale a pena irritar-se com este assunto, assim como nao condeno quem faz doutra forma.

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    6. Eu também trato os meus filhos assim e nao vejo mal nenhum. Já com os meus pais, avos, etc era assim. Nao percebo porque é que fazem tanto drama acerca deste assunto, será algum complexo????

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    7. Complexo porque? Que eu saiba, a última vez que me informei qualquer pessoa pode simplesmente se quiser tratar os filhos ou quem quiser na terceira pessoa. Não é drama, é honestidade e humildade e orgulho naquilo que se é. Ja ouviu falar? O meu marido é brazonado, tem sangue azul e no entanto não me acho melhor que ninguém. Nem tão pouco tento fazer parecer.

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    8. Comparar a Filipa à outra do Blog da Carlota é como comparar o dia e a noite. Uma é da linha, a outra da margem sul, a primeira é bonita e inteligente, já a outra nao deve nada a beleza e nem sabe falar nem escrever... O que têm em comum é o facto de terem um blog e de gostarem de ter os miudos sempre arranjados, mas ate aqui ha diferencas porque a Filipa tem uma Vida real e a outra uma Vida de fantasia, feita por encomenda.

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    9. Continua sem explicar o motivo que a leva a trata-los assim. Gostava mesmo de perceber. obrigada

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    10. Realmente todas devem tratar os filhos como achem mais adequado, mas que só se ouvem as"benzocas" a falar assim isso é verdade. Acho mesmo muito irritante também.

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    11. Teria sido mais interessante trocar ideias sobre como lidar com birras em vez de como tratar os filhos, não
      acham?
      Trato os meus filhos na terceira pessoa por uma questao cultural, familiar e sinto me bem com isso. Foi daqueles temas que nem mereceu discussao ca em casa precisamente porque a nossa realidade ja era essa, aqui todos achamos normal.
      Acrescento ainda que a forma de tratar Pais e filhos não tem a ver com educação, consigo dar varios exemplos disso.

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    12. Bom dia.
      Anónimos aí em cima: e não "odeiam" quando uma criança é maltratada pelos pais ou familiares??? Não acham "irritante" quando ela não tem atenção, amor ou carinho???
      Que tal começarmos a dar valor ao que realmente tem valor ou é mesmo sério e revoltante?
      Os filhos da Filipa parecem-vos crianças infelizes, maltratadas, subnutridas?
      O tratar por Você ultrapassa a questão cultural, familiar e mesmo o brasão. É uma questão pessoal e cada um toma a decisão de tratar os outros por TÚ ou por VOCÊ de acordo como o que sente. A partir do momento que isso não prejudica a vida de terceiros, absolutamente ninguém tem algo a ver com isso nem tampouco tem o direito de questionar (repetitivamente) o porquê dessa escolha, principalmente a pessoas que só conhecem do blog.
      Na minha familia há de tudo, os Tús e os Vocês, há um beijo e dois beijos, e todos se respeitam e entendem, não sendo um mais ou menos do que o outro.
      Será tão difícil de aceitar?

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    13. Célia, a mim irrita-me muita coisa dessas que enumerou mas qdo aqui escrevi apenas me referia ao tema, tratar os filhos por você... nao é necessário alongar-se tanto e desviar a conversa. Era apenas uma pergunta, a qual merece apenas uma resposta. Ok? obrigada Filipa pela resposta.

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    14. Obrigada Célia pelo seu comentario.
      Quanto aos anónimos, apenas lamento que não respeitem a liberdade dos outros. Tratar os filhos por tu ou voce, te-los em casa em vez de coloca los na escola, dar uma palmada ou não dar jamais, usar branco em vez de amarelo São simplesmente escolhas.

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  2. A minha quando faz birra nao quero boneco preferido põe se a bater nas coisas e aos saltos e não me deixa acalma la. Tenho que a deixar curtir a birra e depois passando um tempo é que consigo pegar nela, dar lhe o bonequinho para se acalmar e explicar lhe o porquê

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    1. Às vezes temos mesmo de lhes dar tempo e desvalorizar a situacao para que percebam que aquilo não os leva a lado nenhum. Bj

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  3. Este blog ajuda-me imenso quando tenho que tomar conta da minha irmã mais nova! Adoro,estas dicas resultam mesmo! Obrigada❤️


    www.daysstyle.blogspot.pt

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  4. Bem o que por aqui vai! As minhaa já passaram a fase das birraa, mas o meu conselho é respirar fundo contar até três e falar com calma. Quanto à forma como tratam os filhos já ouviram falar em Respeito e Liberdade? Que disparate de criticas e comentários, sem palavras.....

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  5. Filipa, sou de Luanda-Angola e adoro o seu blog! Obrigada por este artigo. O meu Santiago está numa fase precoce de terrible 2 e este post foi muito útil. Beijinhos e tudo a correr bem!

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    1. Olá Berta, obrigada pela sua mensagem. Espero que o Santiago ultrapasse essa fase rápido! O Vicente ainda está longe disso. Beijinho

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